Allianz adota metodologia ágil sem perder produtividade

A seguradora optou por envolver toda a equipe de TI no projeto e ganhou em engajamento

São Paulo - Oct 01, 2008 : Faz dois anos e meio que a Allianz Seguros iniciou um processo de melhoria de produtividade e qualidade final dos produtos de software. E, para evitar a reação tradicional dos funcionários – ver a mudança como aumento de carga de trabalho ou apenas um monte de burocracia –, a companhia optou por procurar as melhores práticas internamente, em vez de trazer uma metodologia completamente nova.

Para garantir que a metodologia recomendada fosse realmente entendida como uma evolução na forma de trabalhar e não como mais um controle individual externo e intervencionista, o CIO, Emilio Vieira, optou por construir uma série de workshops, em que as várias idéias, recomendações e melhores práticas vividas foram discutidas e condensadas. “O processo foi, desde o início, participativo, envolvendo representantes de todas as equipes de TI, incluindo infra-estrutura e segurança. A idéia era sensibilizar a todos da importância”, explica ele.

O produto final desses workshops foi um conjunto de recomendações de ações, entre elas a criação de uma área dedicada ao gerenciamento das mudanças. “Concluímos que precisaríamos de uma área dedicada a ‘mentoração’, solução de dúvidas e busca de ferramentas. Se os mesmos profissionais que estiverem fazendo desenvolvimento tiverem todas essas responsabilidades, o processo fica muito lento”, explica Vieira. Segundo ele, é preciso aproveitar o fôlego e a identificação da equipe e agir em uma velocidade adequada e constante.

Assim foi criada uma área denominada Engenharia de Aplicações (EA). A equipe de EA ficou responsável por definir uma metodologia de desenvolvimento de sistemas simples e muito próxima das melhores práticas já existentes na companhia; buscar artefatos simples e mínimos; documentar as melhores práticas de TI e gerar formalmente uma biblioteca de “Recomendações e Normas”; planejar o treinamento e certificação em tecnologias chaves; definir e manter uma arquitetura-alvo mais simples (com menos módulos) e com integração garantida por ferramentas de EAI; definir e criar um sistema de gestão de demandas e acompanhamento de entregas; definir procedimentos de garantia de qualidade (testes de requisitos funcionais e não funcionais antes de a liberação) e definir as ferramentas para gestão de requisitos: rastreabilidade, análise de impacto, planejamento de sprints em consenso com o cliente, especificação detalhada e validação visual das funcionalidades.

A maturidade do processo de melhoria de produtividade e entrega dos produtos levou a Allianz à metodologia AGILE. “A resposta da equipe foi buscar uma forma de reutilização de objetos; metodologias e artefatos que pudessem acabar com dúvidas na hora do requisito. Ela veio como meio e não como fim”, explica Vieira. Segundo ele, esse foi um fator para evitar grande perda de produtividade durante o período de mudança. “Alcançamos o conceito da nova metodologia pelas melhores práticas. Evitamos fazer algo desacoplado da realidade”, avalia o CIO.

Com uma lista de requerimentos em mãos, a TI da Allianz foi ao mercado buscar apoio de uma consultoria e optou pela Borland. Assim, a Allianz passou apenas por uma “curva de aprendizado curta”, conforme denomina Vieira. Ele explica que isso era esperado e foi acordado aceitar como normais as dúvidas durante o processo. “Só não pode ter dúvida e não perguntar”, enfatiza.

A implantação da metodologia aconteceu gradualmente. “Para que não fosse mandatória, fomos levando de equipe em equipe. A idéia é levar para mais de uma dezena de equipes até final do ano e concluir essa fase”, diz o CIO da seguradora.

O feedback ainda é qualitativo, explica Vieira. Ele garante que “o pessoal está satisfeito e as entregas estão sendo feitas com mais qualidade, apesar de ainda não haver como mensurar os resultados”. O CIO aposta que muitas mudanças ainda vão ocorrer e que os principais frutos serão colhidos no médio e longo prazo. “Em um ano ou dois teremos, certamente, uma equipe mais produtiva e sistemas mais maduros desde o nascimento”.

A metodologia


A metodologia AGILE escolhida tem como foco o produto-fim da área de TI e se baseia em forte interação com o cliente. Um software funcional e confiável está acima de documentação detalhada. A colaboração com o cliente, acima de negociação de contratos. E ser responsivo à mudança é mais importante que a concretização de um plano.

Isto significa que um projeto tem como fase inicial o levantamento, a priorização e o planejamento do ataque aos requisitos em interações sucessivas de duas a quatro semanas. Cada interação segue o ciclo PDCA e entrega um incremento de software pronto. Cada interação planeja as suas atividades específicas, faz o detalhamento dos requisitos daquela interação e trata da sua respectiva construção e entrega (sprint). A interação termina com uma sessão de lições aprendidas. A forma de interação é através de reuniões rápidas (scrums). (MP)

Ferramentas implantadas depois de todo o processo e as práticas consensadas:


1-GDI - sistema interno de gestão de demandas de TI, com acompanhamento de entregas, e métricas projeto a projeto e consolidadas. Desenvolvido para garantir a transparência com o usuário de acordo com as métricas da companhia.

2-Caliber RM - ferramenta de gerenciamento de requisitos de software com repositório centralizado de todos os requisitos, permite capturar os anseios dos usuários, comunicar e validar, além permitir a qualquer tempo análise de impacto e rastreamento de todos os requisitos.

3- Caliber Define IT - ferramenta de definição detalhada dos requisitos de software, facilitando a análise, especificação e validação através de especificações visuais (storyboards) que comunicam claramente as necessidades, gerando ainda os casos de teste. Incorporat planilhas, websites, protótipos de telas, etc.

4- EAI - Power center - Ferramenta top de mercado que permite a centralização e monitoração dos processos de integração, permitindo orquestração da integração entre os vários módulos e sistemas.

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